Bom eu devo encher o saco com essa de perseguir o poeta Vinicius de Moraes.. eu lá tenho culpa de ligar tanta coisa da minha vida a tudo que ele escreveu. rs
Agora encontrei nas minhas coisas essa poesia, que é linda demais. Na época não encontrava ela completa na internet e tive que escutar um video postado no Youtube que ele lê a poesia, que por sinal é grande para caramba, mas incrível! Escrita à lápis em um caderno antigo direto para o blog ao som de Nando Reis nesse final de Sábado, começo de Domingo frio e Cívil para oBrasil.. kkk Parei com a mania Infantil de rimar tudo que vejo pelo caminho.
Vamos ao que interessa?
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz intima pedindo perdão por tudo
- perdoai-os eles não tem culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter
Esse medo de ferir tocando
Essa forte mão de homem cheia de mansidão
para com tudo que existe
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimivel
Essa irredutivel recusa a poesia não vivida
Resta essa comunhão com os sons
Esse sentimento da materia em repouso
Essa angustia da simultaneidade do tempo
Essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida, uma só morte, um só vinicius
Resta esse coração queimando como m sírio
em uma catedral em ruínas
Essa trsiteza diante do cotidiano
com essa súbita alegria de ouvir da madrugada passos (...)
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa coléra diante do disfarce e do mal entendido
Essa imensa piedade de si mesmo
Essa imensa piedade de sua inútil poesia, es força inútil!
Resta esse sentimento da infância, subitamente
desentrenhado diante de tantos absurdos
essa toda capacidade de rir a toa.
Esse ridiculo desejo de ser útil
Essa coragem de comprometer-se sem necessidade
Resta essa distração
Essa disponiblidade
Essa vaguesa de saber que tudo já foi
Como verá, do vir a ser?
e ao mesmo tempo esse desejo de servir
Essa comteporaneidade com o amanhà dos que não tiveram nem ontem e nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonher
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
de aceitá-la tal como é, e essa visão ampla dos acontecimentos
Essa impressionante e desnecessária presciência
Essa memória anterior de mundos inexistentes, e esse heroismo
estatico, e essa pequenina luz indecifravel
E as vezes os poetas dão o nome esperança.
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Em busca de equilibrio no fio da navalha
Essa terrivel coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens
Resta esse desejo de se sentir igual a todos
De refletir sem olhar, sem curiosidade, sem história
Resta essa pobreza intrinseca
Esse orgulho, essa vaidade de não querer ser principe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade de mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão a sua coragem insaciavel
Resta esse eterno morrer a cruz de seus braços
esse eterno ressucitar para ser recrucificado
Resta esse dialogo do cotidiano com a morte
Esse fascineo pelo momento a vir
Quando emocionada ela virá me abrir a porta
como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.
* Esse poema tem algumas versões, eu acabei mudando algumas coisas, por acidente (rs), mas se aproxima da ultima versão rescitada por ele mesmo em um cd chamado antologia poetica e esta no "O melhor de pasquim 1969/70".
domingo, 3 de outubro de 2010
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